O Ritual de Emulação


O nome "Emulação" originou-se em 1823, quando a "Emulation Lodge of Instruction", mais tarde chamada de Emulation Lodge of Improvement, foi formada em Londres. O objetivo desta Loja era preservar rigorosamente o ritual recém-unificado, para protegê-lo de modismos e para a fiel instrução dos interessados em sua prática.

O ritual adotado pela "Emulation Lodge of Improvement" teve uma longa história. No momento da formação da primeira Grande Loja da Inglaterra, em 1717, não havia um ritual uniformemente aceito, de modo que, mesmo com a Grande Loja já constituída, houve Lojas que continuaram a funcionar de acordo com seus próprios usos e costumes. As duas principais correntes da época foram os denominados "Modernos" e "Antigos": os últimos alegaram preservar as formas rituais antigas, genuínas e não distorcidas.

Em 1751, os "Antigos" formaram a sua própria Grande Loja. A unificação desta Grande Loja com a Grande Loja da Inglaterra, em 1813, provocou uma reconciliação das duas correntes, levando à formação da "Loja da Reconciliação", cuja tarefa era unificar os rituais dos "Antigos" e dos "Modernos". De acordo com a tradição consagrada, o ritual resultante nunca foi gravado em forma escrita, mas apenas transmitido oralmente, para protegê-lo dos não iniciados.

É de se supor que foram adotados principalmente os usos dos "Antigos", com exceção de pequenas variações locais, aceitas como um sistema uniforme por todas as Lojas inglesas, embora isso não tenha sido tornado obrigatório pela Grand Lodge. Posteriormente, foram formadas várias “Lodges of Instruction” com o objetivo de familiarizar as Lojas Inglesas com o novo ritual e instruir os irmãos em sua prática. Um das mais bem-sucedidas dessas Lojas foi a Emulation Lodge of Improvement, que continua até hoje a cumprir sua tarefa como guardiã do ritual.

Até o século XIX, era estritamente proibido publicar o ritual, que, portanto, só era transmitido oralmente. Esses rituais ainda são aprendidos e realizados de cor; exemplares impressos e os documentos que formam a base desses trabalhos são considerados apenas um auxílio de aprendizagem e também servem para evitar a adoção involuntária de divergências ritualísticas.

No Brasil, existe uma polêmica. A confusão semântica que existe em torno dos termos “Ritual de Emulação” e “Rito de York” tem inicio quando a nomenclatura “Rito de York” foi consolidada após a assinatura do Convenio de Aliança Fraternal Entre o Grande Oriente do Brasil (GOB) e a The United Grand Lodge Of England (a Grande Loja Unida da Inglaterra, UGLE, no original) . No texto em português do referido Convenio, firmado em 21 de dezembro de 1912 consta a denominação “Grande Capitulo do Rito de York”, que não encontra respaldo no texto original em inglês, que cita o “Grand Conseil of Craft Masonry in Brazil” . Clique aqui e leia um excelente artigo que trata desse desenvolvimento histórico.

Em 1920, o I Joseph Thomas Wilson Sadler, da Loja Unity, de São Paulo/SP, traduziu o Ritual originário da UGLE, aprovado em 1816, e o denominou “Cerimonias Exactas da Arte Maçônica”. Em 1976, um I da Loja Campos Salles, também de São Paulo/SP, atualizou este Ritual, denominando-o “Rito de York”, com o subtítulo “Cerimonias Exactas (Emulação) Aprendiz, Companheiro e Mestre", assim cimentando a polêmica.

Aparentemente, a denominação “Rito de York”, adotada no Acordo de 1921, se origina de uma homenagem que, à época, se quis fazer aos praticantes da Arte Real da cidade de York , berço das primeiras Lojas Maçônicas como as conhecemos hoje. Entretanto, efetivamente existe um “Rito de York” (também conhecido como Rito Americano), desenvolvido e praticado nas Lojas dos Estados Unidos da América e diverso do “Ritual de Emulação”.